Esporte couture
Um instante para aplaudir a hipnotizante coleção de Alexandre Herchcovitch, que tomou para si a responsabilidade de sacodir a temporada de lançamentos nacional neste verão. Com uma coleção inspirada no mundo esportivo, arrancou salva de palmas de uma primeira fila que, digamos assim, não é lá muito dada a manifestações de entusiasmo. Mas não dá para ficar blasé diante de tanta energia criativa (bem executada, além de tudo).
Se a inspiração são esportes tough, como futebol americano e rugby, a leitura é couture, feminina e sofisticada. O shape básico é inflado e estruturado, chegando às últimas consequências nos looks finais com armação de metal aparente e nos tops e vestidos com mangas-Minnie das cheerleaders ultramodernas. Balonês modelados por colissês conferem volume à silhueta, mas são suavizados pelos comprimentos curtos (lei das compensações, sabe como?), pelo mix com nylon (em vivos espertos de tons contrastantes ou mesma cor da roupa), cetins, renda e georgetes de seda.
Outro contraponto são os collants fetichistas (tire do contexto e terá uma boa companhia para uma saia-lápis, por exemplo) e as calças sequinhas, lindas usadas sobre fuseaus de tela – recurso de sobreposição que o estilista já havia trabalhado na edição passada. Sessão quero-já: saia inflada de cetim duchese bordado com top de viscose de mesma estampa, mas textura completamente diferente, usado por Gracie Carvalho; calça de seda preta + fuseau de tela; meias de seda 7/8 com punho esportivo; e alguma peça do bloco inicial de cetim duchese com estampa de malha mescla (efeito incrível!). Haja crédito para uma wish list tão extensa. E palavras para expressar a delícia que é assistir um show dessa categoria.



















