Neoerika
É impressão minha ou Erika Ikezi está mais romântica/feminina/delicada? Depois de algumas estações eclipsando estas características com excesso de cores e estampas, a estilista se sai com uma coleção mais madura (a mulher Vogue, que quase não encontrava opções na Erika de outrora, pode investir em boas peças-chave da Neoerika). O trabalho de modelagem apurado com foco em origamis, fruto das raízes nipônicas da designer, também cresceu e apareceu com esta providencial limpeza promovida.
Para o verão 2010, Erika traz para a linguagem contemporânea alguns ícones do balé, inspirada pela francesa Sylvie Guillem e pelas dançarinas das telas de Degas. Dessa forma, o desfile é dividido em duas partes: na primeira, apresenta uma série de peças em tecidos fluidos, como o floral devorê, e boas construções de alfaiataria, como a sleeveless jacket bege cintada e alongada de linho acetinado de seda e as camisas e boleros de tricoline com listras azul-bebê, emoldurados por maxigolas plissadas.
Na segunda e última, as construções se enrijecem com dobraduras de alfaiataria e escurecem para marinhos e preto – sempre iluminados por bem sacados forros pink. É neste momento que a fluidez do primeiro bloco dá lugar a uma sobriedade elegante, mas fresca.
É uma coleção que reforça as principais tendências da saison, como cintura alta, minicomprimentos, paleta amena, drapeados e volumes, mas que sobretudo reafirma, agora com a devida clareza, os pontos nos quais Erika deve focar.



















